Por que o Talibã não é nem de esquerda nem de direita

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Valores tribais e volta a princípios da Idade Média, em que a religião dava as cartas até em relação à vida econômica e social, formam ideologia do grupo

Embora o Afeganistão tenha um passado socialista e os mujahideen, combatentes afegãos que antecederam o Talibã, tenham lutado contra a dominação da União Soviética na década de 80, ideologias de esquerda ou direita passam longe do receituário do grupo. Os mujahideen queriam simplesmente o fim das botas estrangeiras no país, segundo o cientista político Sébastien Boussois, da Universidade de Bruxelas, sem se importar muito com o que viria a seguir.

  Claro que não era só isso: os militantes islâmicos também defendiam uma interpretação rígida da sharia, a lei muçulmana, e do Alcorão, além da volta de valores medievais como a obrigação de frequentar a mesquita e a proibição do consumo de álcool.  

“O Talibã, fundado nas estruturas do movimento mujahideen, sempre pregou uma visão ultra radical da religião e nem leva tanto em conta o conceito de nacionalidade, já que o importante é carregar a bandeira do Islã”, diz Boussois. A democracia também não faz parte da lista de pretensões do Talibã.

A curta experiência socialista no país, entre 1978 e 1992, não deixou saudades para os combatentes que inspiraram o Talibã – os mujahideen, auxiliados pelos Estados Unidos, passaram anos lutando primeiro contra a União Soviética e depois contra o governo afegão.

Logo após a retirada das tropas soviéticas, em 1989, o grupo começou a ganhar corpo. “Desde o início, o Talibã tinha uma postura muito associada a uma leitura mega radical do Islã e não tinha nada a ver com esquerda ou direita”, afirma Boussois.

*Com informações do Exame