Pedro Barros morde a medalha conquistada em Tóquio — Foto: Julio Detefon / CBSk

Pedro Barros exalta mensagem do skate em letras de Chorão: “Tamo aí na atividade”

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Medalhista de prata em Tóquio celebra clima amistoso em disputas da modalidade e liberdade para fazer manobras na Vila Olímpica. Músicas do Charlie Brown embalam pódio: “Sempre levantou essa bandeira”

“Me basta que venha do skate
Basta que venha do coração
Basta que venha da mente (…)
Tamo aí na atividade”

O trecho da canção “Tamo aí na atividade”, do Charlie Brown Jr, ecoava nos fones de ouvido de Pedro Barros nas voltas pelo skate park de Tóquio que garantiram a medalha de prata nos Jogos Olímpicos. Ao pé da letra, porém, vai além de uma trilha sonora e representa muito do que o skatista levou para o Japão e repetiu sucessivamente em entrevista já com a medalha do peito: essência.

Mais do que competir, Pedro Barros e sua turma foram para as Olimpíadas se divertir. As três medalhas de prata na calorenta pista de Tóquio foram consequências da leveza de um time que desde as exibições no street deixaram claro a alegria de ver sua modalidade se tornar olímpica. Bastava que viesse do skate, da mente e do coração que estava tudo certo:

– Mais do que qualquer bem material, sempre vai ser a mensagem, a educação, o que permanece, o que fica. Tivemos a oportunidade de passar algo que não só fosse bonito de se ver, mas tocasse a nossa alma e das pessoas que estavam assistindo.

“Essa é a essência do que queríamos realmente passar, mostrar que é possível ser um esporte olímpico e um vibrar na torcida pelo outro. A competição é do ser humano, mas é importante para o nosso progresso a competição saudável”

A confraternização mesmo durante as provas foi algo marcante na estreia olímpica do skate. Tanto que o peruano Angelo Caro Narvaez e a filipina Margielyn Didal viraram xodó entre os brasileiros pela comemoração genuína nas pratas de Kelvin Hoefler e Rayssa Leal no street.

Com Pedro no park, a sensação coletiva foi a mesma. Leveza, dança e uma mensagem que o medalhista olímpico aprendeu muito através de canções escritas por Chorão, do Charlie Brown Jr, que ele apontou como um dos grandes porta-vozes da cultura do skate no Brasil.

– A música sempre foi um estímulo muito grande para andar de skate. O ritmo me guia para o que vou fazer na pista. Não vou mencionar só um nome (de banda/música) específico, porque tenho muitos amigos. Um nome que posso mencionar é o Charlie Brown, que fez muito pelo skate.

“Ele (Chorão) estaria muito feliz de ver onde o skate chegou. Sempre levantou essa bandeira, era um cara que vivia pela essência. Charlie Brown Jr., “Tamo aí na atividade”, foi uma das (músicas) principais que estava rolando”

As canções do Charlie Brown Jr embalaram também os momentos de Pedro na Vila Olímpica. A integração com atletas das mais diversas modalidades é uma das recordações mais especiais que o skatista leva de Tóquio, além da liberdade de fazer manobras sem levar puxão de orelha:

– Foi muito diferente a experiência como um todo. A nossa energia, a nossa vibe estava muito pela essência do skate. Chegamos escutando um som, um Charlie Brown Jr. Foi legal poder andar de skate de um lado para o outro como queria. Alguns estavam andando de bike e nós mostramos a essência do skate. Pegar um muro, uma escadaria, mostra uma nova vida, um novo movimento. A Vila Olímpica foi uma das experiências mais legais.

“Andamos em cima de tudo e o melhor foi não ter o guardinha, não ter ninguém reclamando. Foi lindo demais”

Integração que rolou também entre medalhistas brasileiros, mesmo que fosse durante a madrugada no Brasil. Pedro Barros acordou Ítalo Ferreira para celebrar a conquista e foi só elogios para a simpatia do surfista mesmo que quase sonâmbulo.

– O Ítalo é desses seres humanos que mostra humildade acima de tudo, independentemente do que você ganhe ou conquiste. O que importa é o seu caráter. Atendeu a ligação 4h da manhã no Brasil, com cara de sono, mas sorriso no rosto. É um orgulho. É maravilhoso tê-lo como embaixador do surfe e inspiração para várias pessoas.

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Pedro e Ítalo deixam Tóquio mais do que medalhistas olímpicos. Escancaram a capacidade de ser leve mesmo no esporte em alto rendimento. Afinal, “basta que venha do surfe! Basta que venha do skate! Basta que venha do coração! Basta que venha da mente!”. Eles estão na atividade.

Por Cahê Mota — Tóquio, Japão