Lula terá aliados, independentes e oposição na bancada federal do AM

Cidadania Geral

MANAUS – Dos onze parlamentares federais do Amazonas para a legislatura que começa em fevereiro de 2023, quatro deverão integrar a base aliada do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quatro devem adotar atuação independente, dois aguardam orientação partidária e um será oposição.

Entre os deputados, o único declaradamente de oposição é Alberto Neto (PL), partidário e defensor do presidente Jair Bolsonaro. O Partido Liberal, que elegeu a maior bancada na Câmara, com 99 deputados, já definiu que vai atuar como oposição ao governo Lula.

Mais votado entre os oito deputados eleitos pelo Amazonas, o ainda vereador Amom Mandel (Cidadania) afiama que adotará postura independente em Brasília. Na Câmara Municipal de Manaus, Amom faz oposição ao prefeito David Almeida (Avante).

Pelo Republicanos, o reeleito Silas Câmara e o novato Adail Filho vão seguir orientação partidária nacional e também vão atuar de forma independente.

Com base eleitoral na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, Silas tem tendência governista em todos os mandatos. Do quadriênio 2019-2022 caminhou próximo à agenda bolsonarista, e relação muito próxima com o presidente Jair Bolsonaro.

Teve influência na indicação do ministro André Mendonça para o STF (Supremo Tribunal Federal). No julgamento de Silas por praticar ‘rachadinha’ entre os servidores de seu gabinete em Brasília, Mendonça pediu vistas do processo e possibilitou o deputado compor um acordo favorável no Tribunal.

O novato Adail Filho confirmou que seguirá a orientação da executiva nacional do Republicanos. “Faço parte do Republicanos e decidimos por unanimidade, em reunião juntamente com representantes de todo o Brasil, que seguiremos de forma independente”, afirmou.

Com tendências bolsonaristas, Saullo Vianna e Fausto Santos Júnior, deputados eleitos pelo União Brasil aguardam definição da direção nacional. O partido terá a terceira maior bancada da Câmara dos Deputados, com 59 parlamentares.

“Esse assunto está sendo debatido internamente entre os parlamentares do partido. O meu pedido nessa discussão é que na decisão seja levada em consideração qual será o posicionamento que o próximo governo terá sobre as questões de interesse do Amazonas, principalmente os incentivos da Zona Franca de Manaus”, disse Saullo Vianna.

Reeleitos pelo PSD, Átila Lins e Sidney Leite atuarão alinhados a Lula. Em reunião no dia 8 de novembro, o partido decidiu integrar a base governista e vai pedir para indicar dois ministros. Um será escolhido pela bancada da Câmara e outro pelos senadores.

Omar, Braga e Plínio
Omar Aziz, Eduardo Braga e Plínio Valério (Fotos: Reprodução/ Moreira Mariz e Jefferson Rudy/Agência Senado)

No Senado Federal, Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), que pediram votos para Lula e tiveram apoio do petista para o governo do Estado e reeleição ao Senado, respectivamente, seguirão aliados ao presidente eleito. Plínio Valério (PSDB) tem atuado em sintonia com pautas defendidas pelo atual presidente Jair Bolsonaro.

Em discursos e postagens em redes sociais, Plínio contesta os trabalhos da comissão de juristas criada pelo Senado para alterar a lei do impeachment presidida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, defende o afastamento de Luís Roberto Barroso, também minstro do STF, e apoia atos antidemocráticos realizados na frente de quartéis no Brasil, com pedidos de intervenção militar e contra a posse de Lula.

Lula será empossado em 1º de janeiro de 2023. A coligação que o elegeu foi composta por 10 partidos: PT, PSB, PCdo B, PSOL, Avante, Rede, PV, Solidariedae, Agir e PROS. Juntas, as siglas terão 139 deputados.

Com 68 eleitos em todo o Brasil, o PT (Partido dos Trabalhadores) não terá representante na bancada amazonense. José Ricardo não foi reeleito e encerra o mandato em 31 de janeiro de 2023.

Vinte e três partidos terão representatividade na Câmara Federal.

Omar Aziz, reeleito para o Senado e os oito deputados federais tomam posse em 1º de fevereiro. Alberto Neto, Silas Câmara, Átila Lins e Sidney Leite foram reeleitos. Amom Mandel, Saullo Vianna, Adail Filho e Fausto Santos Júnior foram eleitos para o primeiro mandato.

Fonte: Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL