Atrás de sonho, jovem brasileiro vai para a Suécia para ser jogador de futebol… americano

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Não são raras as histórias de jovens jogadores que saem da sua terra natal, deixam suas famílias e se aventuram em países distantes, em busca do sonho de ser um jogador de futebol. A história de Jonatas Guedes Costa, de 20 anos, que foi defender um time na Suécia, seria apenas mais uma entre tantas. Não fosse o fato de que o seu futebol era o americano, o da bola oval.
Jogador de defesa do Natal Scorpions, time da capital do Rio Grande do Norte, sua trajetória rumo à Europa começou por incentivo de sua irmã, Karinne, que já morava na Suécia. Depois de entrar em contato, alguns times pediram vídeos de suas atuações e, então, surgiu o convite de um time da capital, Estocolmo, e do Uppsala 86ers, ambos da divisão de elite do país.
“Eu escolhi os 86ers por que era o melhor tecnicamente, uma equipe que tinha mais meu estilo de jogo, e também era mais perto da cidade da minha irmã”, contou Jonatas. “Eu consegui um apartamento. Fiquei morando lá e me virando sozinho. Fiquei independente”.
“Eu consegui patrocínio para ir, então os custos já caíram. Lá o clube me pagava a academia e um dinheiro para eu jogar lá, até por que o meu visto era de trabalho. Então os custos eram abatidos pelo clube e pelo patrocinador”, explicou.
Filho de uma professora de escola de idiomas, Jonatas não teve problemas para se virar na Suécia, já que dominava bem o inglês. Com muitos estadunidenses na equipe, a comunicação não foi problema dentro de campo. “Como o treinador era americano e alguns jogadores também, eles meio que exigiam que a comunicação do time fosse em inglês. Aí ficou mais fácil”.

Além do técnico Mike Mitchell, outros estrangeiros do time ganhavam destaque. Dentre eles o quarterback Jared Stegman, que foi o titular da seleção da Austrália no Mundial de futebol americano. O nível do jogo chamou a atenção de Jonatas.
“Eu não esperava que fosse tão forte assim. Tinha o quarterback da Austrália, o mesmo que enfrentou o Brasil, um receiver da seleção da sérvia. E todo time lá tem uns três americanos. O nosso treinador foi eleito o melhor, era americano também, e eles sempre queriam o máximo da gente. Era muito organizado”, contou.
Com um campeonato bem organizando, o brasileiro teve que entrar na rotina da equipe. Uma agenda que tomava conta da semana toda.
“Nós tínhamos os treinamentos no campo das 19 às 21 horas, sempre às segundas, quartas e sextas, além do domingo, se não tivéssemos jogo, e também tinha a academia, que era todos os dias. Era uma obrigação. Todos tinham que estar na academia, reunidos, treinando todos. Morando sozinho eu aprendi a me virar melhor, a dieta. Tinha que estar mais focado, por estar jogando numa liga profissional”, relatou.
Toda a dedicação deu resultado. O Uppsala 86ers terminou o campeonato em terceiro na fase classificatória, com 7 vitórias e 3 derrotas e com a melhor defesa da competição, com Jonatas jogando como cornerback. Na semifinal, no entanto, não foram páreos para o Carlstad Crusaders, que viria a conquistar o tricampeonato, e perderam por 43 a 0.
Agora, de volta ao Brasil, Jonatas se prepara para defender o Natal Scorpions mais uma vez. Neste domingo, dia 20, eles fazem um amistoso contra o Olinda Sharks. Os planos do jogador, no entanto, seguem no velho continente.

“Ano que vem, quero estar de volta”, afirmou.

Fonte:Rafael Belattini, para o ESPN.com.br