Holandês reforça que craque tem contrato por mais uma temporada, mas garante que irá ouvir o que pensa. E ameniza necessidade de mexer no time: “Um jogador de 32 anos não está acabado”
Ronald Koeman foi apresentado como técnico do Barcelona nesta quarta-feira, horas depois de ter sido anunciado. Com tanto por fazer em meio a uma crise profunda no clube catalão, o holandês já foi sabatinado sobre a continuação de alguns dos mais renomados jogadores. Incluindo Lionel Messi.
O treinador reforçou que o craque argentino tem contrato por mais uma temporada (até junho de 2021), mas garantiu que irá ouvir o que o tem a dizer na condição de capitão do time.Não sei se tenho que convencê-lo. Claro que quero tê-lo no meu time. Ficaria encantado em trabalhar com ele porque ele te ganha os jogos. Se conseguir o rendimento de sempre, fico contentíssimo que fique. Ele tem contrato. Temos que falar com ele, claro, pois é o capitão do time. Temos que falar com vários jogadores, tomar decisões. No caso de Messi, espero que fique mais anos aqui – afirmou.
Se te digo o que vou dizer ao Leo eu não precisaria me reunir com ele. São coisas particulares. Quero que ele me diga o que pensa. Mas, vamos, ainda falta um ano de contrato – completou.
Questionado sobre a possibilidade de mexer na coluna vertebral do time, hoje com alguns jogadores experientes, Koeman se esquivou num primeiro momento:
Acho que não (vou precisar), em princípio. Um jogador de 32 anos não está acabado. Tudo é sobre a fome que ele tenha, a vontade que tenha de dar tudo. Tem jogadores om 20 anos que lhe faltam fome e trabalho. Eu só quero trabalhar com pessoas que querem estar aqui. Quem não gosta, que procure o clube e diga. Só quero trabalhar com pessoas que querem o seu melhor para o Barcelona.
Koeman, de 57 anos, assinou contrato até junho de 2021 (embora eleições estejam marcadas para março). Ele retorna ao clube que brilhou como jogador (fez o gol do título da Liga dos Campeões em 1992) e também onde deu os primeiros passos para se tornar treinador, sendo auxiliar do compatriota Louis van Gaal nos anos 2000.
Veja abaixo outros trechos de sua entrevista coletiva:
Sonho realizado
Hoje é um dia para estar feliz e orgulhoso. Todos sabem o que o Barça é para mim. É minha casa. Ter a oportunidade de treinar um grande time como o Barça é um desafio. Não é fácil porque te exige sempre o máximo. Gosto assim porque penso que há qualidade suficiente para exigir isso. Agora assinei e agora sou treinador do Barcelona. A partir de agora vamos trabalhar para treinar uma equipe forte. Temos de fazer mudanças. A imagem do outro dia não é a que queremos, nem eu e nem ninguém. Temos que trabalhar muito para recuperar o nosso prestígio. Ainda somos o maior clube do mundo. Agora, precisamos trabalhar para colocar o Barça onde ele precisa estar: no topo. Vamos dar tudo para isso. É o nosso trabalho, junto com os jogadores que ainda têm muita qualidade.
Qual cara quer dar para o time
Eu sou holandês e os holandeses gostam de ter a bola. Ter, dominar, tentar jogar bem o futebol e, no fim das contas, o mais importante é vencer. Acho que tenho bastante experiência como treinador. Eu me vejo qualificado. Sempre houve uma grande conexão aqui com a Holanda. Futebol é para curtir. Você tem que procurar os dois: aproveitar e trabalhar.
Nomes que vai prescindir
Não gosto de falar individualmente. O que temos que fazer a partir de hoje é buscar o melhor para o clube. Buscar montar o elenco mais forte possível. Sei que há jogadores com certa idade que podem ter dúvidas sobre o seu desempenho. Temos que respeitá-los. Vamos buscar o melhor para o clube. Se houver decisões a serem tomadas, nós as tomaremos. A partir de hoje, vamos trabalhar. Desde o fim de semana falamos sobre as decisões e os nomes, mas não vou dizê-los por respeito.

Eleições em março
Você tem que colocar energia no que está em suas mãos. A única coisa que posso fazer é obter resultados com o Barcelona. Sei que há eleições, mas posso fazer o que posso fazer. Devo fazer o meu trabalho. Se eu vencer os jogos, o próximo presidente pode ter mais dúvidas e espero que continue comigo.
Suárez
Messi é diferente porque é o capitão do time, mas não vou falar sobre os jogadores. Primeiro quero falar com eles. Não vou fazer isso por respeito aos jogadores.
De Jong
Para um jogador que chega ao Barça, o primeiro ano é sempre complicado. O lado positivo é que já fez muitos jogos. Não jogou na sua posição. Para mim, o mais importante é encontrar a posição em que os jogadores se sintam mais confortáveis. Se isso acontece eles passam a ter seu melhor desempenho.
Philippe Coutinho
Ele é um jogador do Barcelona e, se houver decisões a serem tomadas, nós as tomaremos. Sei que tenho mais tempo para conhecer os jovens. Vejo tudo isso positivamente. É hora de dar oportunidades aos jovens quando merecem. Os holandeses não temos dúvidas sobre o momento de dar minutos aos jovens quando merecem. Mas não só eles. É preciso ter equilíbrio.

Por Redação do Ge — Barcelona, Espanha