Pesquisa indica força do presidente entre setores independentes, mas também revela desejo majoritário por mudanças no rumo do próximo governo
O presidente Lula aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro entre os eleitores que se autoidentificam como de centro nos cenários de primeiro turno testados pelo Datafolha para a eleição presidencial de 2026. Os dados, publicados pela Folha de S.Paulo, sugerem que o campo intermediário do eleitorado, sem adesão orgânica ao petismo nem ao bolsonarismo, poderá ser decisivo numa disputa que desde já se desenha como altamente competitiva.
O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 5 de março de 2026, com 2.004 entrevistas em 137 municípios do país, ouvindo brasileiros com 16 anos ou mais. Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-03715/2026, a pesquisa mostra que Lula mantém vantagem numérica relevante sobre Flávio Bolsonaro justamente entre os segmentos que tendem a arbitrar eleições apertadas: os eleitores independentes, moderados ou não plenamente identificados com os polos centrais da política nacional.
Na escala ideológica de 1 a 7 usada pelo instituto, em que 1 representa o máximo à esquerda e 7 o máximo à direita, o centro corresponde à posição 4. É nesse grupo que Lula aparece com 31% das intenções de voto num dos cenários de primeiro turno, contra 17% de Flávio Bolsonaro. Na mesma simulação, Romeu Zema surge com 9% e Ronaldo Caiado com 6%. A margem de erro nesse segmento é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos, o que não elimina a dianteira do presidente, embora recomende cautela na leitura dos números.
O desempenho de Lula entre os centristas ganha ainda mais relevância porque Ratinho Junior, que estava presente em cenários anteriores e anunciou a desistência de candidatura em 23 de março, já não aparece nessa composição. Sem um nome alternativo com pretensão competitiva no campo conservador mais moderado, a disputa nesse trecho do eleitorado tende a se concentrar de forma mais direta entre o presidente e o bolsonarismo.
Os dados também reforçam que a vantagem do presidente não se limita à pesquisa estimulada. Na sondagem espontânea, quando o Datafolha não apresenta previamente os nomes dos possíveis candidatos, 15% dos eleitores de centro afirmam que pretendem votar em Lula para presidente. Flávio Bolsonaro é citado por apenas 2%, mesmo percentual atribuído a Jair Bolsonaro. O resultado espontâneo costuma ter peso político específico por captar lembrança imediata e adesão mais consolidada.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro dentro desse mesmo grupo de centro, o presidente marca 41% das intenções de voto, enquanto o senador aparece com 32%. Apesar da vantagem numérica, o Datafolha aponta empate técnico por causa da margem de erro. Ainda assim, o dado mostra que Lula parte de uma posição mais favorável entre os eleitores que não estão organicamente alinhados ao bolsonarismo. Outros 24% dizem que votariam em branco, e 3% afirmam não saber em quem votar.
Quando o instituto altera a régua e passa a medir o posicionamento numa escala de 1 a 5, em que 1 significa bolsonarista e 5 petista, o eleitor que se define como 3 passa a representar o segmento que não se identifica com nenhum dos dois polos. Nessa fatia, Lula e Flávio também aparecem tecnicamente empatados nos cenários de primeiro turno, mas novamente com o presidente numericamente à frente, com diferença variando entre sete e dez pontos percentuais. No segundo turno, Lula registra 40%, contra 35% de Flávio, enquanto 23% declaram voto em branco e 2% dizem não saber.
Esse conjunto de números sugere que Lula conserva uma capacidade de atração mais robusta entre os eleitores que rejeitam identidades políticas rígidas. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que essa vantagem convive com um dado estrutural importante: a maioria dos entrevistados localizados no meio das escalas afirma desejar que o próximo presidente adote ações diferentes das do atual governo. Entre os que se dizem de centro na escala ideológica, 79% concordam com essa posição. Entre os que não se veem nem como bolsonaristas nem como petistas, o índice sobe para 81%.
Os dados também reforçam que a vantagem do presidente não se limita à pesquisa estimulada. Na sondagem espontânea, quando o Datafolha não apresenta previamente os nomes dos possíveis candidatos, 15% dos eleitores de centro afirmam que pretendem votar em Lula para presidente. Flávio Bolsonaro é citado por apenas 2%, mesmo percentual atribuído a Jair Bolsonaro. O resultado espontâneo costuma ter peso político específico por captar lembrança imediata e adesão mais consolidada.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro dentro desse mesmo grupo de centro, o presidente marca 41% das intenções de voto, enquanto o senador aparece com 32%. Apesar da vantagem numérica, o Datafolha aponta empate técnico por causa da margem de erro. Ainda assim, o dado mostra que Lula parte de uma posição mais favorável entre os eleitores que não estão organicamente alinhados ao bolsonarismo. Outros 24% dizem que votariam em branco, e 3% afirmam não saber em quem votar.
Quando o instituto altera a régua e passa a medir o posicionamento numa escala de 1 a 5, em que 1 significa bolsonarista e 5 petista, o eleitor que se define como 3 passa a representar o segmento que não se identifica com nenhum dos dois polos. Nessa fatia, Lula e Flávio também aparecem tecnicamente empatados nos cenários de primeiro turno, mas novamente com o presidente numericamente à frente, com diferença variando entre sete e dez pontos percentuais. No segundo turno, Lula registra 40%, contra 35% de Flávio, enquanto 23% declaram voto em branco e 2% dizem não saber.
Esse conjunto de números sugere que Lula conserva uma capacidade de atração mais robusta entre os eleitores que rejeitam identidades políticas rígidas. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que essa vantagem convive com um dado estrutural importante: a maioria dos entrevistados localizados no meio das escalas afirma desejar que o próximo presidente adote ações diferentes das do atual governo. Entre os que se dizem de centro na escala ideológica, 79% concordam com essa posição. Entre os que não se veem nem como bolsonaristas nem como petistas, o índice sobe para 81%.
Simoni resume esse quadro ao afirmar: “Mais de um terço dos eleitores se posiciona ou no meio, ou, ainda que tendendo para um lado, não se identifica fortemente [com nenhum dos lados]”. Esse trecho da pesquisa ajuda a explicar por que a eleição de 2026 pode voltar a ser definida não apenas pela mobilização das bases fiéis, mas pela capacidade de convencer os setores menos rigidamente polarizados.
Na escala de 1 a 7, que mede autoposicionamento entre esquerda e direita, o Datafolha encontrou 15% dos entrevistados no ponto máximo à esquerda, 17% no centro e 29% no ponto máximo à direita. Para Simoni, esse percentual elevado na direita não deve ser automaticamente interpretado como sinal de radicalização. “Tradicionalmente, a direita tem um patamar mais elevado do que a esquerda. Mesmo nos momentos nos quais Lula estava no auge, como quando ganhou a eleição de 2002”, afirmou. O pesquisador acrescenta que muitos eleitores podem atribuir aos conceitos de esquerda e direita significados distintos daqueles usados pela academia.
O recorte sociodemográfico traçado pelo levantamento também ajuda a compreender a base de cada campo político. O bolsonarista mais identificado aparece como homem, branco, evangélico, morador do Sul, Centro-Oeste ou Norte, e eleitor com preferência pelo PL. Já a petista mais identificada é mulher, com mais de 60 anos, ensino fundamental, renda de até dois salários mínimos, moradora do Nordeste, aposentada e católica. No grupo que não se associa nem ao petismo nem ao bolsonarismo, o perfil predominante é de homem, entre 16 e 24 anos, estudante, com ensino superior, sem partido de preferência, sem religião e residente no Sudeste.
É nesse último segmento que se concentra um dos maiores desafios da política brasileira contemporânea. Trata-se de um eleitorado menos capturado pelas lealdades históricas e mais aberto a formulações híbridas, pragmáticas ou não convencionais. A estagiária de comunicação Fernanda Rabello, de 22 anos, ouvida na reportagem original, resume esse sentimento ao afirmar: “Sou centro, porque acredito que é possível ter benefícios pra sociedade em ambos os lados, com um mediando o outro”. Em seguida, acrescenta: “Não decidi em quem votar para presidente, está cedo ainda. Acho que o maior problema do país é a disparidade de classes: pessoas que detêm muita riqueza e pessoas que não têm o que comer.”
A fala expressa uma busca por mediação, mas também um incômodo social profundo. Esse tipo de percepção ajuda a explicar por que Lula, mesmo liderando entre os eleitores de centro, ainda encontra limites claros para transformar essa dianteira em adesão consolidada. A vantagem existe, mas ela está assentada num terreno instável, marcado por rejeições elevadas, desejo de mudança e ausência de fidelidade partidária rígida.
O retrato desenhado pelo Datafolha, portanto, projeta uma eleição em que Lula entra competitivo, com fôlego entre os setores independentes e desempenho superior ao de Flávio Bolsonaro entre os eleitores de centro. Mas mostra também que a disputa seguirá aberta, com uma faixa decisiva do eleitorado ainda em observação, desconfiada dos extremos e inclinada a escolher, no limite, aquele que lhe parecer menos distante de suas demandas concretas e menos ameaçador para o futuro do país.
Fonte: Brasil 247